22/12/2008 - A informação tecnológica
"A informação tecnológica pode ser a maior ferramenta dos tempos modernos, mas é o julgamento de
negócios dos humanos que a faz poderosa" - Charles B. Wang.
O ambiente empresarial está mudando continuamente, tornando-se mais complexo e menos previsível,
e cada vez mais dependentes de informação e de toda a infra-estrutura tecnológica que permite o
gerenciamento de enormes quantidades de dados. A tecnologia está gerando grandes transformações, que
estão ocorrendo a nossa volta de forma ágil e sutil. É uma variação com conseqüências fundamentais para
o mundo empresarial, causando preocupação diária aos empresários e executivos das corporações, com o
estágio do desenvolvimento tecnológico das empresas e/ou de seus processos internos. A convergência
desta infra-estrutura tecnológica com as telecomunicações que aniquilou as distâncias, está determinando
um novo perfil de produtos e de serviços.
Segundo Adriana Beal, "O principal benefício que a tecnologia da informação traz para as organizações
é a sua capacidade de melhorar a qualidade e a disponibilidade de informações e conhecimentos importantes
para a empresa, seus clientes e fornecedores. Os sistemas de informação mais modernos oferecem às empresas
oportunidades sem precedentes para a melhoria dos processos internos e dos serviços prestados ao consumidor
final".
Ao ler um estudo de caso sobre as mudanças tecnológicas ocorridas na Água de Cheiro, me deparei com o
seguinte comentário de um dos diretores: "A tecnologia traz a necessidade de mudança cultural e passa a
exigir das pessoas a capacidade de reciclar seus conceitos e seus paradigmas. As pessoas não precisam mais
saber gerar informação, pois a sua geração é automática. Precisam sim, saber usar a informação. Caso a empresa
não tenha tempo nem recursos para investir em treinamento, torna-se necessário fazer uma reciclagem de quadro".
"Tenta-se mudar as pessoas, mas, se precisar, muda-se de pessoas".
Este exemplo clarifica bem, como este novo cenário está afetando interesses, valores e rotinas há muito
tempo cristalizadas em pessoas, eliminando tarefas, gerando desemprego, e exigindo aperfeiçoamento contínuo.
Na Água de Cheiro, eles reconhecem a importância crescente da TI e da rapidez como esta vem provocando
mudanças de comportamento das sociedades. No entanto, admitem algumas limitações ao seu uso, dado a especificidade
do seu negócio.
Cabe aqui uma consideração de Jacques Marcovith, "que quando se impõe limites à TI sem prévio estudo,
caracteriza-se uma nociva desconsideração de tendências, onde a competição não estaria acontecendo apenas
entre empresas, mas entre padrões ou comportamentos pouco convencionais". Cabe a cada organização encontrar
uma abordagem adequada às suas necessidades específicas em gestão da informação.
Outro esclarecimento fundamental, é que A TI e seus computadores não possuem "poderes mágicos" de resolver
problemas de gestão, racionalizar processos ou aumentar a produtividade. Bill Gates em seu livro: A Estrada do
Futuro, fez o seguinte comentário: "Diretores de empresas pequenas e grandes ficarão deslumbrados com as facilidades
que a tecnologia da informação pode oferecer. Antes de investir, eles devem ter em mente que o computador é apenas
um instrumento para ajudar a resolver problemas identificados. Ele não é, como às vezes as pessoas parecem esperar,
uma mágica panacéia universal. Se ouço um dono de empresas dizer: "Estou perdendo dinheiro, é melhor comprar um
computador", digo-lhe para repensar sua estratégia antes de investir. A tecnologia, na melhor das hipóteses, irá
adiar a necessidade de mudanças mais fundamentais. A primeira regra de qualquer tecnologia utilizada nos negócios
é que a automação aplicada a uma operação eficiente aumenta a eficiência. A segunda é que a automação aplicada a
uma operação ineficiente aumenta a ineficiência".
Atualmente a gestão estratégica da informação tornou-se uma parte crítica e integrada a qualquer estrutura
gerencial de sucesso.
O uso da reengenharia de processos para direcionar os novos sistemas de informação pode proporcionar um aumento
significativo da satisfação dos clientes, e/ou a redução de custos, ao contrário das iniciativas que envolvem o uso
de tecnologia apenas para fazer mais rápido o mesmo trabalho.
É complicado tentar explicar que a análise de aquisição dos produtos e serviços de tecnologia, está vinculada à
avaliação dos valores internos da empresa, desde a sua cultura, o nível dos seus gestores e colaboradores, até a
análise dos seus negócios, sem desconsiderar o planejamento estratégico para o futuro. É imprescindível esta reflexão
interna.
O novo desafio dos gestores de TI, está no alcance de metas e objetivos organizacionais específicos, ao invés de
satisfazer requisitos de usuário muitas vezes não relacionados aos objetivos organizacionais, passando a ser um
profissional que fale em clientes, concorrência global e retorno sobre investimento, perdendo a fixação do diálogo
em apenas plataformas, computação cliente/servidor e orientação a objetos e outras mais, combinando ainda habilidades
de liderança e comunicação com conhecimentos técnicos e do negócio, capaz de exercer um papel decisivo em todas as
questões de gestão da informação e de aprimoramento dos processos organizacionais.
Concluindo, a Tecnologia da Informação está permeando a cadeia de valor, em cada um de seus pontos, transformando
a maneira como as atividades são executadas e a natureza das interligações entre elas. Está, também, afetando o
escopo competitivo e reformulando a maneira como os produtos e serviços atendem às necessidades dos clientes. Estes
efeitos básicos explicam porque a Tecnologia da Informação adquiriu um significado estratégico e diferencia-se de
muitas outras tecnologias utilizadas nos negócios. Aos administradores cabe o alerta do Charles Wang, "que a TI
mudou tudo que você aprendeu sobre gestão, e está achatando milhões de administradores que deixaram de conformar-se
ao inevitável. Infelizmente forças assim, não abrem exceções, nem mesmo para você, talvez principalmente para você".
Fonte: Portal do Administrador - Romeu Mendes do Carmo
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